terça-feira, 29 de abril de 2014

A verdade!

"Você estava certo sobre mim quando disse que eu era esquisito.
 Eu sempre achei que algo estava errado. Quando eu mudei de cidade eu pensei que poderia deixar todos aqueles problemas e traumas de lado e ter uma vida normal. Mas aqui estou eu, cercado por estranhos e fingindo que nenhum deles existe. Eu disse a mim mesmo que tudo isso seria diferente, que seria melhor, mas eu estava errado...
Durante a adolescência eu comecei a me isolar das pessoas, me isolar mesmo. Na nova cidade... meu pai... meus colegas.... eles apenas me ajudaram a reforçar ainda mais o preconceito que eu tinha. Quem eu estou querendo enganar, EU SOU ANTISSOCIAL MESMO.
Aquele negócio sobre ano novo, novas oportunidades, desafios, lugares e pessoas. Eu acho que eu sou carente e as vezes eu preciso impressionar as pessoas de alguma forma com frases bem feitas e bonitas ou com algum tipo de proeza ou façanha que poucos consigam ou não se preocupam em tentar desenvolver. 

Mas agora... tudo isso... é um lembrete para aquilo que eu realmente penso... para aquilo que eu realmente sou. Você não está entendendo? Eu estou dizendo que EU CANSEI DE TENTAR SER NORMAL!"
 Cansei de tentar fingir o que eu não sou e de mentir para mim mesmo que tudo será diferente só porque eu passei em uma porcaria de vestibular! De tentar conviver e ter amigos novamente. Quando eu vejo os meus colegas reunidos conversando, rindo e se divertindo, eu sinto inveja. Sinto uma leve dor no coração ao imaginar que poderia estar ali também reunido com eles. Era isso que eu sempre quis, mas eu nunca tive coragem em buscar a minha felicidade.
Eu perdi dois anos da minha vida tentando entrar na universidade para chegar lá e me isolar novamente. Foi assim no colégio militar, foi assim no pré-vestibular e vai ser assim lá. Eu tenho vontade de chorar, de gritar e correr o mais rápido possível para pelo menos tentar aliviar esse aperto no meu peito. Nada disso iria funcionar provavelmente.
Ler e escrever se tornou um refúgio. Desabafar para um pedaço de papel não é um belo substituto para um amigo, mas funciona por um período de tempo.
Eu nunca fui tão sincero como agora. Eu imagino que talvez algum dia alguém leia isso e me ajude a sair desse buraco que eu mesmo cavei durante a minha vida, a enxergar novo horizonte de possibilidades e de oportunidades. E o principal, a ter coragem e de perceber as oportunidades que surgirem na minha frente (como quando um mestre guia o seu discípulo).
Devo tomar uma atitude de forma autônoma em vez de esperar por um milagre? A atitude mais racional seria essa, mas nem sempre a razão consegue falar mais alto, os sentimentos e as angustias humanas sempre prevalecem em momentos de desespero.
Acho que não deveria me preocupar tanto, pois talvez as coisas melhorem amanhã, ou depois de amanhã, ou semana que vem, ou mês que vem...